sexta-feira, fevereiro 5

Juiz rejeita denúncia contra Neymar

O atacante brasileiro Neymar deixa o prédio da Audiência Nacional em Madri, o principal órgão do Judiciário da Espanha, após prestar esclarecimentos sobre sua transferência do Santos para o Barcelona em 2013
O atacante brasileiro Neymar deixa o prédio da Audiência Nacional em Madri, o principal órgão do Judiciário da Espanha, após prestar esclarecimentos sobre sua transferência do Santos para o Barcelona em 2013(Sergio Perez/Reuters)
O juiz Mateus Castelo Branco, da 5ª Vara Federal de Santos, decidiu não abrir ação penal contra o jogador Neymar e seu pai e empresário, Neymar Santos. O magistrado rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, que acusa o jogador dos crimes de sonegação fiscal e falsidade ideológica. O mérito da denúncia, contudo, não foi analisado: Castelo Branco acatou o argumento da defesa do jogador, que alegou que não poderia haver contra Neymar um processo por sonegação fiscal enquanto a Receita Federal ainda investiga o craque na esfera administrativa.
Responsável pela denúncia, o procurador Thiago Lacerda Nobre ainda avalia se recorrerá da decisão. Isso porque o MPF pode esperar para que a Receita conclua a investigação e, depois, reapresentar a denúncia. Quanto ao crime de falsidade ideológica, o procurador afirma que vai recorrer. A Procuradoria havia oferecido denúncia por 21 crimes de falsidade, mas o juiz rejeitou toda a acusação com base em apenas um. Nobre deve apresentar um embargo de declaração, para que o magistrado explique a decisão.
De acordo com o MP, Neymar pai e Neymar filho criaram empresas de fachada e adulteraram documentos para pagar menos impostos. O mecanismo utilizado é simples: para escaparem dos 27,5% da mordida do Leão sobre pessoas físicas, o jogador e seu pai criaram empresas para receber a maior parte de seu salário no Santos e dos contratos de publicidade e, assim, pagar uma alíquota menor, o que significou um abatimento de mais de 50% no imposto a pagar. Em seis anos, eles abriram três empresas: a Neymar Sport e Marketing, a N&N Consultoria Esportiva e a N&N Administração de Bens. Nenhuma delas, segundo a denúncia da Procuradoria, possuía "capacidade econômico-financeira, gerencial ou operacional" para administrar a carreira de Neymar - os sócios eram o pai e a mãe de Neymar e havia apenas dois funcionários, que trabalhavam como seguranças. De 2010 a 2013, Neymar recebeu 43,78 milhões de reais do Santos, mas só 8,1 milhões em forma de salário, como pessoa física. O restante foi por meio dos "contratos de imagem" firmados com suas empresas. Apenas em 2011, as companhias dos Neymar também selaram ao menos onze contratos com patrocinadores, que somaram quase 75 milhões de reais.
Publicidade
Ele também é acusado pelo Ministério Público Federal de fraudar documentos para pagar menos tributos. Em vários casos, a investigação constatou que os contratos das empresas de Neymar com o Santos e com patrocinadores são anteriores à criação delas. Funcionava assim, segundo a denúncia: o atacante e seu pai fechavam o contrato entre a sua empresa e as outras partes, mesmo antes de ela ter sido registrada e ter um CNPJ. Depois, quando esses documentos já haviam sido obtidos, eles inseriam os dados nos contratos com data anterior. Um exemplo: em 10 de maio de 2006, uma das empresas, a Neymar Sport, fechou um contrato com o Santos para a exploração do direito de imagem do craque, em que já constava o seu CNPJ. O problema é que esse número ainda não existia - ele só foi emitido doze dias depois, em 22 de maio. Conclui o procurador na denúncia: "Trata-se de documento antedatado e cujos negócios jurídicos foram simulados".

quinta-feira, fevereiro 4

Next BRASIL PF apura se Lula se associou a quadrilha de lobistas

A promotoria investiga a ajuda da OAS a Lula ao reformar apartamento no Guarujá
Polícia Federal investiga se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do esquema ou se usaram o nome dele para conseguir benefícios em negociações de medidas provisórias(Douglas Magno/VEJA)
Em ofício encaminhado à Justiça Federal na terça-feira, o delegado da Polícia Federal Marlon Cajado afirmou ter aberto um segundo inquérito, no âmbito da Operação Zelotes, de número 1621, para investigar se o ex-presidente Lula, ex-ministros e servidores de alto escalão se associaram a lobistas suspeitos de pagar propina a integrantes do governo e do Congresso para conseguir benefícios fiscais a montadoras de automóveis por meio de medidas provisórias.
Cajado explicou no documento que até encerrar o primeiro inquérito, de número 1424, só havia indícios inequívocos de cooptação e corrupção praticados pelos servidores públicos Lytha Spíndola [ex-assessora da Casa Civil] e Fernando César de Moreira Mesquita [ex-diretor de Comunicação do Senado]. Os dois já são réus e respondem na primeira ação penal decorrentes da Zelotes. O Mistério Público afirma ter provas de que eles receberam propina.
Conforme o delegado, a atuação de Lytha e Mesquita - e de seus "colaboradores" - em diversos órgãos do Legislativo e do Executivo foi "fundamental" para a prorrogação de incentivos fiscais ao setor automotivo na aprovação de MPs como a 471/2009 e a 512/2010 e emendas.

Dilma volta à TV após quase um ano. E volta também o panelaço

Em pronunciamento, presidente Dilma convoca união dos brasileiros no combate a Aedes aegypti e zika vírus
Em pronunciamento, presidente Dilma convoca união dos brasileiros no combate a Aedes aegypti e zika vírus(Youtube/Reprodução)
A presidente Dilma Rousseff voltou nesta quarta-feira a falar em cadeia nacional de rádio e televisão depois de quase um ano. E novamente foi alvo de um panelaço. Houve manifestações em bairros de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Curitiba, além de cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Na capital paulista, foram registrados panelaços em Higienópolis, Santa Cecília, Consolação, no Centro, em Pinheiros, Alto da Lapa e Vila Romana, na Zona Oeste, na Vila Olímpia, Moema e no Jardim Marajoara, na Zona sul. Em alguns bairros, foi registrado também buzinaço. Dilma usou o pronunciamento para tratar do surto de zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue e da chikungunya. A presidente apelou à população que se mobilize no combate ao mosquito. "Basta que impeçamos o mosquito transmissor de se reproduzir em águas paradas. Se o mosquito não nascer, o vírus Zika não tem como viver", disse. Ela pediu ainda a formação de um "exército de paz e de saúde, com a participação dos 204 milhões de brasileiros e brasileiras".
Para encerar, a petista afirmou que o governo federal fará "tudo, absolutamente tudo" para proteger as mulheres grávidas. "Quero transmitir, agora, uma palavra especial de conforto às mulheres brasileiras, principalmente às mães e às futuras mamães. Faremos tudo, absolutamente tudo, que estiver ao nosso alcance para protegê-las. Faremos tudo, absolutamente tudo, para apoiar as crianças atingidas pela microcefalia e suas famílias", disse. Assim que teve início o discurso da petista, começou o protesto. Imediatamente depois do término do pronunciamento as redes sociais foram encharcadas por vídeos que mostravam o panelaço pelo país.

Gilmar Mendes é o novo presidente do TSE

Ministro Gilmar Mendes durante sessão que julga Ação Penal 470
Ministro Gilmar Mendes pode acabar responsável pela ação que pode resultar com a impugnação da chapa de Dilma (Nelson Jr./SCO/STF/VEJA)
O plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou nesta quarta-feira o ministro Gilmar Mendes como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mendes é o atual vice da corte e vai substituir o ministro Dias Toffoli, cujo mandato de dois anos termina em maio, quando o novo presidente deve ser empossado. A votação no Supremo é simbólica e serve apenas para referendar a ascensão do vice-presidente ao cargo máximo. Assume a vice-presidência da corte o ministro Luiz Fux.
Com a substituição, Mendes, um desafeto dos petistas, comandará a corte na reta final da ação que pode resultar na cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer, por crimes eleitorais. O ministro já expressou que quer deixar como marca no comando da corte um maior rigor na análise de contas de campanhas eleitorais. O TSE é composto por, no mínimo, sete magistrados: três do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e outros dois da classe de advogados indicados pelo Supremo. Mendes também estará à frente do TSE no primeiro ano em que as novas regras eleitorais serão aplicadas. (Com Estadão Conteúdo)

OAS pagou cozinhas planejadas do tríplex e do sítio de Lula, diz jornal

No bolso dos corruptores: investigadores não têm dúvidas que o apartamento no Guarujá pertence a Lula e sua mulher, Marisa Letícia
No bolso dos corruptores: investigadores não têm dúvidas que o apartamento no Guarujá pertence a Lula e sua mulher, Marisa Letícia(Paulo Whitaker/Reuters)
Além de bancar a reforma no tríplex de Lula no Guarujá, a empreiteira OAS comprou os móveis planejados que adornam o apartamento e também o sítio do ex-presidente em Atibaia. Documentos divulgados nesta quarta-feira pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, mostram que a empreiteira do clube do bilhão. pagou por duas compras feitas em uma loja de São Paulo e entregues no Edifício Solaris e no sítio Santa Bárbara.

Conselho de Ética deve ir ao STF para garantir investigação contra Cunha

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)(Ueslei Marcelino/Reuters)
Diante das sucessivas manobras para inviabilizar as investigações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o comando do Conselho de Ética estuda apelar ao Supremo Tribunal Federal para garantir a abertura do processo por quebra de decoro contra o peemedebista e a continuidade dos trabalhos sem interferência de aliados ou da cúpula da Casa. A ação deve ser apresentada depois do Carnaval.
A medida é uma reação à decisão dada pelo vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), nesta terça-feira. O deputado acatou recurso e anulou a abertura de investigação contra Cunha, aprovada por 11 votos a 9 em dezembro. Dessa forma, a ação contra o presidente da Câmara, iniciada em novembro, volta praticamente à estaca zero.

quarta-feira, fevereiro 3

Carnaval de Salvador começa oficialmente nesta quarta-feira, 03


Nesta quarta-feira, 3, será dada a largada aos sete dias de Carnaval em Salvador. A cerimônia de abertura oficial da festa começa a partir das 18h, com a saída de um cortejo, comandado por Carlinhos Brown a bordo da Caetanave, da Praça Castro Alves em direção ao Terreiro de Jesus, no Pelourinho, com um parada na Praça Municipal.
Lá, o prefeito ACM Neto entrega a chave da cidade ao recém-coroado Rei Momo Duzinho, dando continuidade ao evento, que contará com a rainha e as princesa do Carnaval
Durante o cortejo, serão feitas representações do passado e presente do Carnaval, com retrospectiva da festa em Salvador, passando pelas fanfarras e chegando ao trio elétrico.
Depois de Brown, Bandão Fred Dantas, Ala de Baianas, Grupo João de Barros, Quabales, Pierrôts de Plataforma, Ganhadeiras de Itapuã, Olodum, Bonecões, Wilson Café e os Tambores, Mutantes, Fred Menendez e o Rixô Elétrico, Microtrio de Ivan Huol, Thierry em um mini trio e Banda Didá, seguem animando o público. (confira programação completa na caixa de serviços)
E, para finalizar o primeiro dia da maior festa de rua do mundo, o cantor Saulo Fernandes chega em um trio elétrico sem cordas.
Barra
A festa na Barra começa a partir das 19h, com a participação de 28 bandas de fanfarras que vão animar o Circuito Sérgio Bezerra, saindo do Farol da Barra até a avenida Oceânica, na altura do antigo Barravento.


Para oposição, Dilma fez discurso 'utópico'

A Presidente da República, Dilma Rousseff participa da sessão solene do Congresso Nacional para abertura dos trabalhos legislativos do segundo ano da 55ª Legislatura
A Presidente da República, Dilma Rousseff participa da sessão solene do Congresso Nacional para abertura dos trabalhos legislativos do segundo ano da 55ª Legislatura(Gustavo Lima / Câmara dos Deputados/Divulgação)
A oposição reagiu de imediato ao discurso feito pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira, durante abertura dos trabalhos legislativos de 2016. Em um ato raro em seu governo, a petista dedicou atenção especial aos parlamentares e compareceu à cerimônia como parte do esforço para tirar do papel matérias impopulares e de arrocho econômico que dependem do aval do Congresso, como o retorno da CPMF. Parlamentares contrários às medidas avaliam que a presidente fez um pronunciamento como alguém acaba de assumir o mandato e ainda se eximiu dos problemas causados por ela mesma.
"Parece que ela estava assumindo hoje o governo, e não que seu partido governa há treze anos o Brasil. Vocês ouviram alguma palavra de reconhecimento da gravidade da crise energética, que levou ao aumento do custo da energia?", questionou o senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Nenhuma palavra em relação aos equívocos do governo na condução da política macroeconômica no ano passado, nenhuma palavra em relação a esse conjunto de denúncias que estão aí sobre o governo. A presidente busca isolar-se de algo de que não é mais possível se isolar. Ela não tem mais condições de tirar o Brasil da crise", continuou o tucano.

Aliado de Cunha anula abertura de investigação no Conselho de Ética

A cúpula da Câmara dos Deputados voltou a entrar em campo para blindar o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no processo de cassação a que responde no Conselho de Ética. Depois de afastar o relator Fausto Pinato (PRB-SP), que pediu investigação contra Cunha, o vice-presidente Waldir Maranhão (PP-MA) agora acatou recurso que leva a ação praticamente à estaca zero, anulando a sessão que deu início às apurações sobre o envolvimento do peemedebista no escândalo de corrupção da Petrobras e se ele mentiu ao dizer que não mantinha contas fora do país.
A ação chegou às mãos de Maranhão por iniciativa de um outro aliado de Cunha, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS). Em dezembro, o parlamentar ingressou com um recurso na Mesa Diretora pedindo a anulação de todos os atos da sessão que deu aval à abertura de um processo contra o peemedebista. O argumento é que não foi concedido um pedido de vista (adiamento), o que é regimental. O comando do conselho negou o pedido porque ele só pode ser aplicado uma vez, e já tinha sido usado enquanto Fausto Pinato, o relator deposto, estava à frente do caso. Em seu lugar, assumiu o deputado Marcos Rogério (PSD-RO), que apresentou parecer também pedindo investigação contra Cunha.
A decisão foi tomada no último 22 de dezembro, mas o Conselho de Ética somente foi informado nesta tarde. No ofício, o vice-presidente da Câmara afirma que o pedido de vista "é um instrumento que busca assegurar ao parlamentar a oportunidade de estudar a matéria antes de se pronunciar sobre o mérito das proposições". Ele defende ainda que pelo fato de o relator ter sido trocado, a apresentação do parecer de Marcos Rogério, que é um documento diferente, implica a realização de nova discussão e a possibilidade de pedido de vista.

terça-feira, fevereiro 2

Maria do Socorro Santiago toma posse na presidência do Tribunal de Justiça da Bahia


A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago tomou posse na presidência do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), na manhã desta segunda-feira (1º), em cerimônia no Salão Nobre do Fórum Ruy Barbosa. Ela assume o biênio 2016/2018, em sucessão ao ex-presidente Eserval Rocha. A solenidade teve início por volta das 10h
Além da presidente, também foram empossados para a mesa diretora do Tribunal os desembargadores Maria da Purificação da Silva como 1º vice-presidente, e Lícia de Castro Laranjeira Carvalho na 2ª vice-Presidência. Osvaldo de Almeida Bomfim assume o cargo de corregedor-geral da Justiça; e na Corregedoria das Comarcas do Interior, a desembargadora Cynthia Maria Pina Resende
A solenidade foi acompanhada por autoridades como o governador da Bahia, Rui Costa, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo. Também esteve presente o prefeito de Salvador, ACM Neto. Antes da posse, o rito da cerimônia começou com revista à tropa da Polícia Militar.

PT vai à televisão para tentar conter corrosão política e eleitoral do ex-presidente Lula


O PT intensifica a partir desta terça-feira (2) uma campanha para tentar conter o processo de corrosão eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. Líderes do partido e até assessores diretos do ex-presidente, em conversas reservadas nos últimos dias, avaliaram que o estrago político das mais recentes suspeitas levantadas pelas investigações em curso está se tornando praticamente irreversível no médio prazo - até a eleição presidencial de 2018.
Nas palavras de um petista com acesso a Lula ouvido pelo jornal O Estado de S. Paulo, ao menos por enquanto, o problema do ex-presidente é mais grave na esfera política do que na criminal, na qual, segundo o próprio juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na 1.ª instância, ainda não há investigação formal que tenha Lula como foco.

O PT teve acesso a pesquisas variadas sobre o desgaste imposto pelas investigações à imagem do ex-presidente e decidiu que uma reação conjunta de defesa de Lula se tornou imperativa, sob risco de o partido chegar sem um nome eleitoralmente viável às eleições de 2018, quando Dilma Rousseff não poderá mais concorrer ao Planalto porque já foi reeleita em 2014. Lula vem perdendo pontos em praticamente todos os cenários nos quais é testado como candidato do PT a presidente e a rejeição ao nome dele vem crescendo a cada sondagem.

Bolsa Família, Fies e Minha Casa devem escapar de corte

O Bolsa Família
Orçamento do Bolsa Família para 2016 é de 28,1 bilhões de reais(Divulgação/Agência Brasil)
Mesmo com dificuldades para fechar as contas em 2016, o governo decidiu preservar do contingenciamento a ser anunciado depois do Carnaval os orçamentos do programa Bolsa Família, do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e do programa Minha Casa Minha Vida.
Segundo fontes da equipe econômica ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real daAgência Estado, os três programas não serão atingidos pelo corte, que será anunciado juntamente com a reavaliação de receitas e despesas, até 12 de fevereiro.
A previsão do governo é gastar com os três programas 53,8 bilhões de reais em 2016, segundo dados do Ministério do Planejamento. A decisão de poupar essas despesas reduz ainda mais o espaço para cortes no orçamento federal, já restrito por causa do peso dos gastos obrigatórios com salários, despesas da Previdência Social e mínimos constitucionais. As informações são de que o montante a ser contingenciado no orçamento ainda está sendo discutido.
Publicidade
Apesar do plano de manter os recursos para esses programas, o Minha Casa Minha Vida e o Fies já haviam sofrido ajustes no ano passado. No caso do programa habitacional, o orçamento original de 2016 previa gastos de 15,5 bilhões de reais, mas, por causa do ajuste fiscal, o governo anunciou um corte de cerca de 8,6 bilhões de reais, o que reduziu a previsão de recursos para 6,9 bilhões de reais. Para compensar, o governo aumentou o financiamento do programa com recursos do FGTS.

Brasil não tem de devolver documentos sobre Odebrecht, decide corte suíça

O executivo Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato, durante depoimento à CPI da Petrobras em Curitiba, nesta terça-feira (01)
O ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato(Vagner Rosário/VEJA.com)
A Justiça da Suíça decidiu que o Brasil não tem que devolver ao país europeu documentos bancários que comprovariam pagamentos de propinas no exterior a ex-dirigentes da Petrobras no esquema apurado pela Operação Lava Jato. De acordo com o Ministério Público Federal, a decisão representa uma derrota para a Odebrecht, que havia recorrido na Justiça suíça para evitar que os documentos fossem enviados formalmente ao país. Segundo a Procuradoria, o tribunal suíço autorizou a empreiteira a apenas ingressar com um recurso interno.
De acordo com o MPF, a Odebrecht queria impedir o uso como provas, no Brasil, dos documentos bancários que revelariam o pagamento de "propinas multimilionárias, mediante depósitos diretamente feitos nas contas controladas por ex-funcionários da Petrobras". "Contudo, o Tribunal suíço concedeu à empresa apenas o direito a um recurso interno, tal qual ocorreria caso o pedido de cooperação tivesse partido do Brasil para a Suíça", diz a procuradoria.
O tribunal suíço entendeu que houve falha por parte dos procuradores suíços ao mandar, em 2015, informações relacionadas a uma investigação sobre o uso do sistema bancário suíço pela Odebrecht para pagamento de suborno. O conteúdo da decisão foi divulgado em reportagem do jornal Folha de S. Paulo publicada nesta terça-feira. O erro procedimental seria a liberação de extratos bancários completos das contas, sem que os acusados tivessem sido ouvidos, o que foi considerado cerceamento do direito de defesa. No entendimento da corte, foi enviada uma quantidade de informações "desproporcional".
Publicidade
"[A violação à regra de cooperação internacional] poderia determinar um pedido de devolução ou mesmo um pedido de não utilização delas pelo país que recebeu as informações. Por outro lado, não existe nenhuma obrigação do Estado requerido [o Brasil] de cooperar neste sentido, desde que o Estado requerido não é responsável por medidas falhas de agências governamentais suíças", diz parte da decisão.
Para a procuradoria brasileira, no entanto, a decisão não tem nenhum efeito prático sobre o processo no Brasil por não obrigar a devolução das provas pelos investigadores da Lava Jato. "Com relação ao uso dos documentos já enviados ao Brasil, o tribunal suíço decidiu que os documentos não precisam ser devolvidos. Assim, a decisão não tem qualquer efeito sobre a acusação criminal contra executivos da empresa, amparada em amplas provas de pagamentos de propinas no Brasil e no exterior e do desvio de bilhões de reais dos cofres públicos", diz o MPF.
O ex-presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, está preso desde junho do ano passado por suspeitas de integrar o esquema do petrolão. Desde o final de 2014, os procuradores brasileiros e suíços têm feito reuniões para examinar os documentos, que podem ser usados para indiciar e condenar os envolvidos no esquema.
Não é a primeira vez que isso acontece na relação de cooperação entre o Brasil e a Suíça. Em julho de 2015, o Tribunal de Bellinzona rejeitou recursos de duas pessoas, cujos nomes não foram revelados, que tentaram impedir que seus dados bancários fossem repassados ao Brasil e autorizou o envio dos documentos. Eles haviam sido citados em delações premiadas na Lava Jato e o Ministério Público brasileiro pediu a ajuda dos suíços para identificar as contas citadas, o que acabou ocorrendo.
Em 2003, o ex-prefeito Paulo Maluf também tentou impedir a remessa de documentos de suas contas na Suíça e o caso parou no Supremo Federal, em Lausanne. Ele acabou sendo derrotado e a Justiça deu sinal verde para que os documentos fossem compartilhados com o Ministério Público no Brasil.
LEIA TAMBÉM:

Ex-senador diz que medida provisória sob suspeita desenvolveu a Bahia

Ex-senador César Borges
Ex-senador César Borges(Lula Marques/Folhapress/VEJA)
O ex-senador pela Bahia e atual vice-presidente de Serviços, Infraestrutura e Operações do Banco do Brasil, César Borges (PR), negou com veemência nesta terça-feira ter recebido propina de acusados de "comprar" medidas provisórias no governo federal.
O ex-congressista não é investigado por participação no suposto esquema, apurado na Operação Zelotes, mas respondeu a questionamentos formulados por advogados de defesa dos réus de ação penal sobre o caso, que corre na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.
Borges foi arrolado como testemunha de defesa de Eduardo Valadão, acusado de integrar o esquema de corrupção. Ele comandava a Bahia entre 1999 e 2002, quando os primeiros incentivos fiscais para montadoras instaladas no Nordeste foram concedidos, ainda no Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Publicidade
Entre 2009 e 2010, quando foi editada e aprovada a MP 471, que prorrogou os benefícios e está sob suspeita de "encomenda" pelo setor privado, era senador por seu Estado. Na época, participou da mobilização política para viabilizar a norma, que teria sido fundamental para manter a Ford na Bahia.
Questionado pelo advogado Marcelo Leal, que atua para o lobista Alexandre Paes dos Santos, se recebeu propina relacionada à MP ou soube de pagamento de vantagens a parlamentares, Borges reagiu: "Absolutamente. Nunca recebi. Nunca soube no parlamento. Me admira muito que uma MP como essa tenha saído de algum tipo de acordo", disse.
Borges destacou que a medida foi importante para o desenvolvimento econômico de seu Estado, tanto que em dez anos, exemplificou, o Produto Interno Bruto (PIB) baiano dobrou. Ele disse que a norma foi aprovada mediante consenso de lideranças do governo e da oposição, em votação simbólica e sem emendas.
Para esta terça-feira, estão previstos os depoimentos de ao menos treze testemunhas, além da ré Cristina Mautoni.

Com presença de Dilma, Congresso abre 2016; 'Xô CPMF', protesta oposição

AO VIVO: Com presença de Dilma, Congresso abre 2016; 'Xô CPMF', protesta oposição